Na sexta a noite os pais de Luis Felipe receberam a ligação do serviço de assistência social do Hospital do Câncer de São Paulo confirmando a consulta, marcada para dia 29 de agosto.
Houve um culto de oração com os amigos da igreja na casa deles, Luis gosta muito desses amigos, principalmente do Pastor Manoel, com quem ele se indentifica bastante.
Mais tarde Felipe resolveu conferir os intervalos das dores de Luis e percebeu que ele não conseguia ficar sentado sem sentir dor nas pernas. Contou no relógio o tempo de ação do remédio, e o máximo que ele conseguia era 15 minutos, sob o efeito da morfina. Mas ambos sabiam que era necessário agüentar e ele prometeu que conseguiria.
A ansiedade e o cansaço se confundiam. Desde o começo das dores nas pernas de Luis ninguém dormia mais na casa e esta madrugada não foi diferente, partindo no primeiro vôo do sábado, Luis Felipe e sua família viajaram para São Paulo.
Ao contrário do que se esperava, Luis permaneceu sentado, durante todo o trajeto, as vezes trocava as pernas de lugar ou as cruzava, mas se manteve quieto em sua poltrona.
Imediatamente após a chegada em São Paulo, a dor de Luis recomeçou, Felipe sempre atento aos horários da morfina, já providenciou a medicação para o filho.
Ao chegar no apartamento da Cristina, tia da Joanne, Luis pediu para deitar e seguiu com dor, que piorou com o passar das horas. Ele não parava de chorar e de repente surgiu uma febre alta. Foi nesse momento que Felipe e Joanne lembraram das palavras de Carol, se caso Luis se sentisse mal eles poderiam comparecer à emergência do A. C. Camargo.
Procuraram na bolsa os documentos de registro do Hospital e o TFD, e não encontraram. Este documento é a garantia do tratamento pelo SUS neste hospital. E agora? Luis estava piorando e não havia outra alternativa a não ser arriscar um atendimento médico.
Chegando à emergência do A. C. Camargo, Joanne e Felipe se assustaram com a tranqüilidade do ambiente, foram recepcionados e muito bem atendidos, e acreditem, o nome do Luis já constava no registro do hospital. Parecia um mundo diferente da realidade SUS que eles conheciam, comentou Joanne. A médica foi muito atenciosa, examinou o Luis, o fez comer um lanche, leu todos os exames que ele trouxe de Manaus, ligou para a médica responsável do caso e disse que ele iria ficar internado.
Felipe e Joanne perceberam que por muito pouco Luis não teria mais condições de embarcar em um vôo comum para São Paulo. E foi nesta noite de sábado, dia 25 de agosto, que começou um novo momento na vida do Luis Felipe e seus pais, o medo da morte mais uma vez deu lugar à esperança.